Esses dias aluguei alguns filmes, dentre eles Cinderela, o clássico infantil onde a pobre mocinha maltratada pela madrasta consegue vencer todos os obstáculos e viver seu amor, feliz para sempre.
Simples assim, felizes para sempre. Sem brigas, sem desconfiança, entre os bosques floridos do reino, as flores que nasciam para enfeitar sua mesa de jantar e sem contas a pagar, afinal, eram príncipe e princesa.
Como eu queria ser criança, ter mais fantasias, sonhar mais, faz tão bem.
È triste admitir, mas hoje ate os sonhos estão longe. Sabe a estrada que o vento faz a curva? Dobre a direita, siga o caminho do arco-íres, depois da casa dos sete anões, pergunte ao lobo mal.. talvez ele saiba dizer. Eu não sei.
Mas não. Eu não sou criança.
Quisera todo relacionamento não tivesse problemas, não tivesse dor, desconfiança, palavras que ferem.
O destino não satisfeito de me mandar todo esse pacote, me mandou de brinde a distância. Milhas e milhas.
A distância que me impede de ir acompanhada ao cinema sem me importar se vou trocar algumas cenas por beijos.
A distância que não me deixa dormir abraçada, sentindo aquela respiração forte, aquele cheiro,o calor em meio a uma noite fria e chuvosa de sábado.
Distância maldita que só machuca o coração, os corações que cansam por esperar aquele avião pousar.
E ai será que o tempo vai resolver? Quanto tempo? Tempo quanto?
Quisera acreditar que o cavalo branco vai chegar no meio de uma tarde ensolarada de abril, mais infelizmente acho que o cavalo cansou da viajem, desistiu e talvez meu sapatinho de cristal esteja sujo e apertado.
E olha que eu nem queria um cavalo branco, nem um reino todo com seus bailes de pompa, onde se brinda com muito champagne.
Eu só desejo um fusca amarelo e um bar pé sujo, onde eu possa acender o meu cigarro no teu e brindar com uma cerveja gelada.
[Eu queria ter a mesma chance de todo romance com final feliz, me perder nas asas da aurora e pegar carona do vôo da perdiz]
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