Estrada

•maio 5, 2008 • 3 Comentários

E em meio aquela quinta feira griz, ela pegou a estrada, deixou os sonhos no guarda-roupa do guarto, fechou a mochila jeans.

Entrou no carro, sem dizer nenhuma palavra, olhava as estradas nuas e o procurava o sol por tras das nuvens.

O coração pulou pela janela, mas burro como só ele, se perdeu, e sabe- se lá quando vai voltar.

Chorou.

Amores

•maio 1, 2008 • Deixe um comentário

Amores.

Fulano ama ciclano que ama beltrana e blablabla, quem nunca se deparou com uma situação dessa? Essa noite inicia com muitas peguntas e histórias, das quais eu acreditava que não ia pagar pra ver.

Seguiram o destino que ninguem havia planejado, nem mesmo quem havia feito o convite. Sentaram no velho banco esquecido de muitos, que naquele dia havia sido lembrado, por muitos também. E de longe eu observava a cena.

A menina não parava de falar sua boca mechia, mechia, mechia sem lembrar da existência da palavra cansaço a outra escutava atenta, ora se assustava, ora ria, gargalhadas soltas onde se notava um sutil misterio. Um rapaz chegou, abraços surgiram tambem. Ele se foi.

Os olhares se cruzaram, cochicharam e logo em seguida sairam. O sorriso misterioso ainda estava no rosto da pequena moça que tinha os cabelos caido nos olhos.

Seguiram.

O destino? Ainda desejo descobrir, mas deve ter sido bom.

 

Cinderela.

•abril 27, 2008 • 1 Comentário

Esses dias aluguei alguns filmes, dentre eles Cinderela, o clássico infantil onde a pobre mocinha maltratada pela madrasta consegue vencer todos os obstáculos e viver seu amor, feliz para sempre.

Simples assim, felizes para sempre. Sem brigas, sem desconfiança, entre os bosques floridos do reino, as flores que nasciam para enfeitar sua mesa de jantar e sem contas a pagar, afinal, eram príncipe e princesa.

Como eu queria ser criança, ter mais fantasias, sonhar mais, faz tão bem.

È triste admitir, mas hoje ate os sonhos estão longe. Sabe a estrada que o vento faz a curva? Dobre a direita, siga o caminho do arco-íres, depois da casa dos sete anões, pergunte ao lobo mal.. talvez ele saiba dizer. Eu não sei.

Mas não. Eu não sou criança.

Quisera todo relacionamento não tivesse problemas, não tivesse dor, desconfiança, palavras que ferem.

O destino não satisfeito de me mandar todo esse pacote, me mandou de brinde a distância. Milhas e milhas.

A distância que me impede de ir acompanhada ao cinema sem me importar se vou trocar algumas cenas por beijos.

A distância que não me deixa dormir abraçada, sentindo aquela respiração forte, aquele cheiro,o calor  em meio a uma noite fria e chuvosa de sábado.

Distância maldita que só machuca o coração, os corações que cansam por esperar aquele avião pousar.

E ai será que o tempo vai resolver? Quanto tempo? Tempo quanto?

Quisera acreditar que o cavalo branco vai chegar no meio de uma tarde ensolarada de abril, mais infelizmente acho que o cavalo cansou da viajem, desistiu e talvez meu sapatinho de cristal esteja sujo e apertado.

E olha que eu nem queria um cavalo branco, nem um reino todo com seus bailes de pompa, onde se brinda com muito champagne.

Eu só desejo um fusca amarelo e um bar pé sujo, onde eu possa acender  o meu cigarro no teu e brindar com uma cerveja gelada.

 

[Eu queria ter a mesma chance de todo romance com final feliz, me perder nas asas da aurora e pegar carona do vôo da perdiz]

 

Mudanças.

•abril 20, 2008 • Deixe um comentário

Há muito não escrevo, e não só nesse abandonado blog, mas é que a inspiração foge de mim como o diabo da cruz.. e isso ta ocorrendo com certa freqüência ultimamente.

Mas essa não é a razão da inspiração e hoje.. se é que posso chamar esses rabiscos de inspiração.

Amanhã é domingo. E quem me conhece sabe o quanto eu odeio os domingos e não é só pela péssima programação de tv, que eu nem vejo, ou pelo apelo familiar que ele me traz, mas domingos sempre em trazem duvidas e perguntas.. e como eu nunca sei as respostas..!

Amanhã faço duas décadas. E isso pessa.

Amanhã faz uma semana que eu e alguns amigos, saímos sem rumo.. indo parar na beira de um rio.. com coca-cola, fandangos, cerveja e muitos, muitos dilemas e indagações sobre nossas vidas.

Hoje, não há nada que tome tanta conta de mim como as indagações.. e olha que elas ocupam um lugar e tanto. Sabe, quando éramos, quando eu era, criança.. as certezas eram maiores, e talvez  a determinação também.

Era mais fácil saber o que se queria e ter certeza de muitas coisas, havia respostas pras perguntas… E eram tantas. Quando se é criança o mundo é mais fácil, sem problemas, sem trabalhos por obrigação, sem contas de luz na caixa do correio das bonecas, sem pneus de carros furados.Mais colorido, por que quando se cresce tem que se procurar as cores.

E hoje as vésperas dos vinte de pergunto se sou feliz.

As certezas que tinha quando criança, muitas se foram.. já não quero mais o jornalismo, já não desejo mais morar sozinha (é meu caro, quando se é criança.. a gente conta os dias pra ser “livre”, mais as vezes a solidão de um apartamento é tão grande quanto a estrada pra Brasília), e dentre certezas perdidas.. estou por inteiro.

Talvez seja necessário um recomeço, amanhã inicia-se pra mim, uma nova década, e  quem sabe com ela venha as respostas.

 

 

P.S.: Para o novo, palavras novas, apago os antigos desabafos e jogo-os em uma lixeira, longe do alcance da memória.